Concurso cultural premia a mais nova drag do Vale do Paraíba

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Concurso contou com criação de planejamento de comunicação para selecionar os seis concorrentes. (Crédito da imagem: divulgação)

“Eu não vou ter medo de colocar essa coroa na minha cabeça e nunca mais tirar”, afirma Rosemary Del Mar, vencedora do concurso artístico cultural Make Me a Queen – a mais nova drag do Vale do Paraíba realizada no início do mês de agosto no auditório do Senac Pindamonhangaba. A ação foi produzida pelos estudantes dos cursos livre de Maquiador e técnico de Eventos.

Os alunos dessas duas turmas desenvolveram um projeto de conclusão de curso para transformar pessoas comuns, sem distinção de gênero, na mais nova drag queen do Vale do Paraíba.

Para isso, a fase pré-evento consistiu em uma seleção de participantes pelas redes sociais do concurso para selecionar seis competidores interessados em desenvolver suas personas drags, incluindo maquiagem, figurino e história do personagem, com apoio e consultoria das alunas de Maquiador. As drags também participaram de ensaio fotográfico e técnico para o desfile e as performances, organizado e conduzido pelos alunos de Eventos. O período do concurso ocorreu entre os dias 10 de julho até 06 de agosto e foi dividido em: inscrição, seleção, produção e final.

“Imaginamos como seria interessante unir esses dois assuntos e como seria valioso esse exercício em que uma turma teria que interagir totalmente com a outra, criando uma relação de cliente e prestador de serviços”, avaliou Ana Elisa Cherubini e Silva, docente dos cursos de eventos e de beleza do Senac Pindamonhangaba.

Processo de elaboração

Quando os alunos definiram ao concurso de drag queen, as alunas do curso de Maquiador iniciaram as pesquisas, a criação de personas e desenvolvimento de técnicas, enquanto isso os alunos de Eventos elaboravam o planejamento e marketing do evento. A partir daí eles se articularam com relação à organização do evento, divulgação, ensaios, datas, entre outras tarefas.

No dia da cerimônia, as alunas maquiadoras fizeram toda a preparação dos concorrentes e os estudantes de Eventos se dividiram para acompanhar todas as frentes: montagem, cerimonial, recepção e assessoria às maquiadoras e candidatos para fornecer todas as orientações e repassar os protocolos do evento. Os de Eventos ainda realizaram uma pesquisa de satisfação com esse cliente e todos os envolvidos no processo.

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Foram seis concorrentes para apresentarem suas personas drags. (Crédito da imagem: divulgação)

Para a atividade ser realizada com sucesso, os estudantes conseguiram se mobilizar para produzir o plano de marketing, captação de recursos, divulgação, criação da marca, definição do público, redação de documentos, comunicação, mediação e cálculos necessários.

Além dessas questões técnicas, os estudantes também tiveram oportunidade de estudar a cultura drag, conhecer esse movimento cultural para atender esse perfil de cliente, buscar as técnicas e tendências. “Foi necessário aplicar as seguintes técnicas em sala de aula: analisar morfologia do rosto do cliente, preparar e uniformizar a pele, entender de cores, luz, sombras e texturas”, disse.

No dia do evento, os seis competidores apresentaram suas personas drags. Participaram: Matheus Pariz como Bianca Lauren; Luis Gabriel com Lady Night; João Gabriel com Maya Morningstar; Leandro Eliziário com Lohayne Monyki; Gustavo Borges com Lucy Lucifer e Lincoln Francisco com Rosemary Del Mar.

A comissão julgadora foi formada por quatro profissionais com competência na área e sem vínculo com os concorrentes. Os julgadores foram: Natalia Antunes, maquiadora profissional, cabeleireira e designer de sobrancelhas desde 2011; André Britto, cabelereiro e maquiador com 16 anos de carreira; Eduardo Alberto, auxiliar de biblioteca no Senac Pindamonhangaba e recém declarado gay, amante e admirador da arte e cultura drag; e Jonathan Franzoni; conhecido atualmente como Leona Salohan, empresária de moda e beleza, tem uma loja e um salão, e atua como drag queen há nove anos e possui vários títulos de belezas (Miss Rio Grande do Sul Gay 2018 e a atual Musa Gay Vale Do Paraíba 2019, por exemplo). Além de participar como júri especializado, Leona fez uma performance artística durante o evento.

A vencedora

O vencedor do concurso foi a Lincoln Francisco como Rosemary Del Mar. Sua persona foi inspirada na figura materna, para homenagear sua mãe, que estava presente na cerimônia e se emocionou em todo evento. Após o concurso, Lincoln Francisco assumiu Rosemary Del Mar em suas redes sociais e foi convidado para participar de eventos Drag no Vale.
“Vivendo a experiência do Make Me A Queen e relembrando todo o ocorrido, eu começo a compreender como foi impressionante inserir esse tema no meu cotidiano, pôde me ajudar tanto a encarar a vida de uma forma mais positiva”.

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Concurso cultural contou com perfis em redes sociais. (crédito da imagem: Vini Victors)

Lincoln compartilhou que por meses acompanhou muito sobre a arte drag e se apaixonou pelo tema. “Eu me imaginei várias vezes me apresentando, me enrolando em um tecido brilhoso sozinho no meu quarto e ficava na frente do espelho dublando minhas músicas e criando performances na cabeça”, contou.

A vencedora ainda compartilhou que o evento deu oportunidade de ir atrás de seus objetivos e pensar em tudo que queria de verdade. Ainda disse que todo o processo do evento ajudou a ele a confiar mais em si mesmo.

Aprendizados

Uma das alunas responsáveis pela maquiagem da ganhadora do concurso, Beatriz Santos, contou que o projeto possibilitou os estudantes conhecerem um mundo de cores, formas e fantasias. “Aprender que todos podemos ser drags e ao longo da caminhada nos transformamos e podemos levar ao outro o mundo de cores e sonhos. O Senac nos proporcionou, além de um evento, realizar um sonho em maquiar uma pessoa, isso não tem preço. Valeu cada momento, cada aprendizado.”

Para a turma de Maquiador, o desafio foi o procedimento utilizado. “A maquiagem drag exige técnica e uso de cores não convencionais na maquiagem social e isso exigiu delas muitas pesquisas, treinos e imaginação”, esclareceu Ana Eliza, que explicou ter sido importante criar uma persona e oferecer um serviço para um cliente que exige todo esse levantamento, negociação e etiqueta profissional.

Por outro lado, a turma técnica de Eventos também se esforçou para buscar parceiros para captação de recursos. “Os alunos já tinham exercitado essa habilidade antes, porém é sempre um desafio para eles”, atentou Ana Elisa.

Na avaliação da docente, o projeto teve dois aspectos importantes: trabalho colaborativo e a valorização da diversidade. “Foi também um projeto que extrapolou os muros da escola e envolveu a comunidade. Os alunos criaram um formato de evento que pode ser vendido, repetido, incentivado. Ou seja, um projeto real”.

2019-09-13T17:53:35+00:00